Estrangeiro

Optei por manter o blog, primeiro, porque ainda não terminamos o projeto e, segundo porque “azungus” significa além de “branco”, também forasteiro, estrangeiro; e é assim que me senti não somente em todo o tempo que passei na África, como sinto aqui nos Estados Unidos, e também em vários momentos de minha vida no Brasil. No entanto, em Africa e aqui eu fui e sou, no sentido literal da palavra, ao passo que o “não pertencimento”, está em todo lugar.
Após 5 meses na California consegui trabalho, um quarto para morar, continuo pensando e ajudando no projeto da pre escola, estudando ingles e, posso dizer que sim, defini um tema para meu desejado mestrado.
Agora, se me perguntarem se ficarei por aqui? A resposta é não.
Esse momento está sendo como uma transição. Depois de mais de um ano me dedicando ao voluntariado no Malawi, agora está sendo o momento de repensar em tudo o que experienciei e como conciliar isso com meu projeto de vida.
Mesmo eu não me adaptando com a vida nos Estados Unidos, não consigo imaginar esse processo de assimilação acontecendo na correria de São Paulo.
Comparo de perto, realidades tão distintas. Um processo fundamental.

“Sentia-me um pouco perdido entre o céu azul e branco e a monotonia destas cores, negro pegajoso do alcatrão aberto, negro baço dos fatos, negro lacado do carro… Sou suspeito para os nacionalistas dos dois lados. Para uns, meu erro é não ser suficientemente patriota. Para outros, sou patriota demais. Não amo a Argélia a maneira militar ou de um colono. Mas será que posso amá-la de outro modo que não o francês? O que muitos árabes não compreendem é que a amo como um francês que ama os árabes e deseja que, na Argélia, eles estejam em sua terra sem que por isso ele mesmo se sinta estrangeiro… Em nossa sociedade, qualquer homem que não chore no funeral de sua mãe, corre o risco de ser sentenciado à morte”. Trechos de O Estrangeiro, Albert Camus

by Pamela Zaparolli

Fotos

Um breve adeus a África

Sei que voltarei, mas por agora, trabalho feito. Na verdade não concluído, a escola não conseguimos terminar, mas ainda é nosso projeto e vamos finalizá-lo com o tempo.

De última hora recebemos uma doação do Brasil bem bacana, vinda de uma pessoa muito generosa, com a qual tive a oportunidade de trabalhar há alguns anos atrás. Então o que conseguimos fazer antes de partirmos, foi comprar alguns materiais e deixarmos para que os estudantes e a comunidade pudessem trabalhar e seguir em frente com a construção.

O professor do Vocational School, com o qual estávamos trabalhando juntos, ficou de nos enviar de tempos em tempos notícias do projeto, bem como fotos do andamento da obra, para que assim, pudéssemos continuar construindo ou contribuindo com tal, dessa vez, de longe… Infelizmente essa comunicação não está acontecendo… Ainda não pudemos ver em que pé está a construção da escola. Sei que a conexão com internet é bem difícil para eles, e o fuso horário também não ajuda. Ai como isso dói e aperta no peito…

Talvez tudo esteja indo bem, só não tiveram tempo e meios de enviar notícias…

Por um lado acredito piamente que fiz meu papel mobilizando e trabalhando com a comunidade, e agora é com eles; mas por outro, sinto o desejo insaciável de ver aquilo pronto!

A saudade às vezes bate… daquela manhã e um sereno silenciosos, dos sorrisos tímidos e sinceros, da alegria simples de alguns fervendo sangue adentro.

Agora estou na Califórnia, estudando inglês e trabalhando para conseguir ao menos comprar a passagem de volta para o Brasil (rs), que ainda não se tem data certa.

É difícil voltar a realidade… Em partes já estou infiltrada novamente nesse mundo, mas que de certa forma nunca fui completamente desligada, porque os conflitos humanos são praticamente os mesmos, sejam aqui ou acolá.

Sofri no Malawi, sofri com os traços coloniais ainda muito fortes e grosseiros que fazem de uma sociedade não só pobre economicamente, mas cultural também. Uma sociedade dantes vista no Brasil nos seus 1800…

E é louco pensar que Moçambique, tão alí colado, pode ser tão diferente!… Se não fosse a história… Cada um com sua peculiaridade e resquícios históricos. Mas Moçambique, ahhh que sensação gostosa de quase estar no Brasil!! Não só pelo fato de nos comunicarmos na mesma língua, o que me fez sentir um prazer diferente – mas como assim depois de atravessar uma “simples” fronteira eu transfiro todo o pensamento e a fala, do inglês para o português? As pessoas em Moçambique são mais calmas também, uma paazzzz… E quando voltei para o Malawi o choque foi imenso porque os malawianos são completamente agitados e falam e gritam e correm e tocam e… ufa… já cansei! rs

Nos despedimos dos amigos que fizemos e que tanto nos ajudaram, nos despedimos das crianças da vila e da comunidade que acreditou em nós e que fez questão de trabalhar junto com a gente, ou melhor, de aceitar a gente lá trabalhando com eles, de ter nos recebido de braços e mente abertos, de corpo e alma J

Me despeço com a alma livre pelo que fiz e vivi nesses últimos seis meses, mas com uma certa angústia pelo que não terminei, me despeço com ansiedade pelo que está por vir, me despeço sabendo que meu pé na África vai voltar a se firmar, Nigéria, Congo, Quênia são alguns dos países que ainda irei conhecer. Me despeço sabendo que essa experiência não foi só minha, mas de todos que fizeram parte da minha vida enquanto lá eu estava.  Assim como foi um breve Olá, abro meus braços para um breve Adeus; assim, como todo ciclo, que se fecha e outro se abre em seguida, um movimento, o simples movimento da vida…

Agradeço à todos também que de loooonge torceram por mim e me ajudaram de todas as formas que puderam, com pensamentos, com palavras, com lembranças, com doações 🙂 e por aí vai.

Nova Etapa!

by Pamela Zaparolli

Zikomo Kwambiri

 

Zikomo Kwambiri

10 de Agosto de 2012

Quero agradecer à todos, aos velhos amigos e aos que encontramos e fizemos no meio do caminho, por toda força que nos deram e pela ajuda com o projeto da pre escola no Malawi. Mesmo agora à distancia, vamos com certeza finalizá-lo!!! 🙂

Zikomo Kwambiri!!!

Sinais

ouço um badalar de sinos…

Passava das três horas da manhã quando acordo, coração acelerado, um choro sofrido de mulher

…me soou como aviso…

não consigo levantar para ver o que se passava

o vento traz mais choros desesperados

ainda femininos

permaneço deitada permitindo que aqueles sons me perturbem

permitindo,

permaneço,

perturbada,

demoro a pegar no sono novamente

o som ensurdecedor segue madrugada adentro.

Já de manhã, me deparo com folhas fechando a passagem de parte de uma rua da vila Mathaka: sinal de falecimento

by Pamela Zaparolli

Reta Final

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Nós somos voluntárias e estamos no Malawi construindo uma pré escola na região sul do país. Não existem pre escolas por aqui, as já existentes foram construídas por organizações não governamentais, ou seja, não há, por parte do governo local, nenhum investimento em educação infantil.

 O nome da vila é Nthambi, portanto chamamos o projeto, bem como a pré escola que estamos construindo de “Nthambi Pre School”.

Os próprios moradores da vila estão nos ajudando com sua mão de obra e também com alguns materiais que podem ser providenciados pelos mesmos, como areia, ferramentas, água e comida para os trabalhadores. É importante ressaltar que não podemos pagá-los pelo serviço, então estamos todos unidos trabalhando voluntariamente por um mesmo objetivo: a educação das crianças.

Essa pré escola irá beneficiar as cinco vilas ao redor, contabilizando mais de cem crianças de 02 à 05 anos de idade. E a professora, voluntária local há alguns anos, está sendo qualificada para continuar seu trabalho com qualidade.

A escola possui o tamanho de 6×9, que corresponde a uma sala e um pequeno quarto para guardar materiais escolares e afins. Também faz parte desse projeto construir o banheiro (4×3).

Conseguimos até agora atingir o nível abaixo da janela, com as doações que já arrecadamos. A partir de agora temos um mês para finalizar esse projeto, por isso estamos pedindo sua contribuição.

Se ficou interessado e quiser mais informações, nossos contatos são:

 Emails – pamelazaparolli@gmail.com

              dijamartins@gmail.com        

Blog – azungus.wordpress.com
Phone – (+265) 0212231555

Para doações:

Pamela K. Zaparolli Barbosa

Banco do Brasil

Agencia 3423-1

Conta Corrente 14382-0

Agradecemos desde já pela atenção,

Coincidência talvez seja mera semelhança.

Eles adoram musica, são cantores impecáveis, talentosos artesãos, constantemente felizes. Não chegam na hora, deixam pra depois. Inventam feriados e gostam de festejar e prolongar os finais de semana. Lotam os bares e boates e fazem festas como ninguém. Quem disse que o povo brasileiro deixa tudo pra ultima hora certamente não veio conhecer o Malawi, certeza.
Eu moro em um país onde a maioria das pessoas são pobres e negras. Mas qual a ligação de cor e pobreza?
Eu moro em um país onde as pessoas donas do dinheiro, não são os donos dessa terra. Fazem rios de dinheiro, constroem grandes impérios por gerações, mas não estendem as mãos para o povo faminto que chora nas ruas sujas das cidades ou para os que moram nas vilas e são tão magros quanto o pouco gado que tem, andando descalços e trabalhando de sol a sol.
Os que precisam da mão de obra barata do negro não estão satisfeitos com o comportamento destes, mas talvez se voltassem ao tempo e pusessem nos mesmos correntes e cicatrizes, morreriam gordos, ricos e “felizes”. Peculiar.
Eu moro em um país onde a educação é precária, onde as crianças não tem acesso a pré escolas, onde a maior parte da população é pobre e ignorante e o ensino, em sua maior parte, não é gratuito. Onde as pessoas, não importa quem, jogam lixo nas ruas, não importa o que e nem onde. Num país onde o transporte coletivo é irregular, mas não se tem outra opção, o que faz a policia rodoviária morrer de rir por terem dinheiro fácil todos os dias vetando a irregularidade com máfia.
As pessoas aqui, já nascem com a ascendência de ser o que eles não são.
Onde a beleza maior vem empacotada com moldes e cores de outro continente, não o da realidade e cultura deles. Onde vendem tudo e qualquer coisa a qualquer preço pelas ruas. Onde o lixo predomina as margens do que deveria ser bonito e representar vida, mas que cheira mal e remete a miséria e pobreza. Pobreza de espírito, pobreza da alma de quem nasce pra viver uma vida pequena, curta e rodeada de imensas paredes imponentes, para a visão impotente de quem nasce com raízes no país onde eu moro.

Semelhança talvez seja mera coincidência.

O Projeto.

Começamos finalmente construir a escola!!! Ehhhhh!!!!
Demorou para conseguirmos arrecadar algum dinheiro e comprar os materiais. Ficamos tristes, depressivas, nervosas, irritadas… Mas agora FOOII!

Fizemos muitas amizades durante a arrecadação de fundos na cidade, e essas são as pessoas que estão nos ajudando, basicamente. Amigos intimos também contribuíram com o que puderam.
A situação atual é a seguinte:

1) Formamos uma parceria muito interessante com um dos professores do Vocational School: ele está exercendo a função de “mestre de obras”, que é sua profissão, e utilizando também de seus alunos como mão de obra, pois que servirá em contrapartida como atividade prática, esta sendo obrigatória e essencial na grade curricular dos cursos da escola.
2) A comunidade está nos ajudando com a mão de obra também. Não podemos pagar para tal serviço, então eles decidiram, através do comitê que criamos, que cada família pagará uma pequena quantia para os que se voluntariarem a fazer esse trabalho. Faz total sentido, já que a pré escola está sendo construída para seus próprios filhos, não é um trabalho fácil, e o dinheiro que eu e Dija estamos arrecadando não é o suficiente para comprar tudo o que realmente precisa para concluir a obra antes de irmos embora.
3) Nosso plano é subir a escola até o nível da janela, antes de irmos embora. O restante final ficará para os próximos voluntários, com os quais estamos em contato e portanto estão à par do projeto e super empolgados para continuar esse trabalho junto com a comunidade local. Infelizmente não vamos conseguir acompanhar de perto esse projeto até o final. É uma pena… ☹
4) Um super amigo, que veio nos visitar, trouxe muitos materiais para trabalharmos com as crianças da pre escola: cadernos, lapis, giz de cera, papéis e afins. Junto com a professora estamos elaborando atividades pedagógicas para as crianças. (nesses dois ultimos meses estamos focando nosso trabalho com a pré escola, visto que os alunos do Vocational School, para os quais ensinávamos sociol. e comp. skills, estão em fase de provas/exames)
5) Neste mês de junho Ester, a professora da Pre Escola, começará a frequentar o Teachers Trainning, um treinamento que acontece todo mês em Chilangoma, há uma hora da onde moro aproximadamente (de minibus quase 3 horas rsrs). Esse projeto também faz parte do DAPP, e por isso pensamos ser interessante a ela participar pois, como “professora”, ela precisa abranger novos conhecimentos e ampliar sua visao com os trabalhos com as criancinhas, sem precisar, necessariamente, de nós ou de qualquer outra pessoa. Essa etapa também faz parte do nosso projeto com a pre escola, a idéia de construí-la não cabe somente à construção, pois sem a qualificação de professores de nada valerá uma escola. Junta-se a isso reuniões com o comitê afim de que mobilizem as famílias a enviarem seus filhos para a escola, agora com uma professora capacitada!

Bom, estamos correndo para conseguir cumprir nosso plano. Todo dia logo cedo vamos trabalhar na obra. Sempre encontramos o chefe da vila e também o presidente do comitê da vila, bem como do comitê da Pre Escola. Isso é muito positivo, sinal de que a comunidade está envolvida de corpo e alma nesse projeto.
Uma esperança que temos, para os próximos dias, além de continuar fazendo arrecadação na cidade e internet, é uma reunião que teremos com a membro do parlamento da vila, a sra. Kasambwe. Já conversamos com ela, depois de muito tentar por aqui e acolá, e, assim que acabar as reuniões todas no parlamento, que fica em Lilongwe (capital do Malawi), ela virá para cá e vamos sentar e conversar. Já tendo conhecimento do projeto (foi até visitar o terreno), parece que se interessou muito, e com intenções políticas à vista talvez esse encontro possa render uma boa parceria. Oba, vamos torcer!

by Pamela Zaparolli

Jornada

Estive um tempo longe daqui.

Recebi uma visita de um grande amigo, então separei um tempo para fazer alguns passeios turísticos, coisa que até o momento não tinha feito, por falta de tempo e dinheiro.

Primeira viagem foi ao Mulanje com a intenção de subir até o ponto mais alto da montanha, 3.000 metros, onde fica o Pico do Sapitwa, traduzindo: don’t go there, não vá lá!

A jornada foi programada para ser feita em três dias. No primeiro dia seria iniciada a subida logo cedo, caminhar por quase 6 horas até a primeira acomodação, almoçar e, a tarde ir até uma piscina natural há 30 min. de lá, a Linje Pool, com suas águas geladíssimas (mas que não pude deixar de entrar). No dia seguinte iniciaríamos novamente a caminhada até o segundo acampamento, Lichenya Hut, já na entrada para a trilha do pico Sapitwa, para, depois do almoço, alcançá-lo. Na descida dormiríamos nesse segundo acampamento e desceríamos tuuuudo chegando na cidade de partida até o meio dia.

Tudo foi a realizado com sucesso, porém, na primeira parada decidimos ficar por lá mais um dia. Além de estarmos exaustos da caminhada (grande parte subida), o lugar era muito agradável, o acampamento super rústico, com um solzinho para nos aquecer do frio daquela altitude durante o dia, e a lareira – também utilizada para fazer nossa comida -, a noite. Tivemos que levar nas mochilas toda nossa alimentação para os três dias, como estendemos para quatro, nossos guias emprestaram generosamente um pouco do arroz e da nsima deles.

Foi muito cansativo, tanto a ida quanto a volta. Muita subida e depois na volta, só descida. Nossos joelhos gritavam. A trilha para o pico foi tensa, subida íngreme e escaladas foram obrigatórias. Encontramos alguns outros turistas voltando do pico, o que nos aliviava um pouco o sentimento de que pudesse ser muito perigoso, e as vezes, sem volta. Mas nada disso, estando com os guias é perfeitamente possível. Chegamos ao topo! Encontramos uma placa em homenagem ao Gabriel, aquele brasileiro que se perdeu por entre a forte neblina, pegou o caminho errado de volta e foi encontrado morto, há dois anos atrás. A vista? Poxa, com sinceridade, havia muitas nuvens passando rápidas por nós.  Mas foi possível visualizar um pouco do que havia lá embaixo. É sentar, respirar e contemplar.

No dia seguinte, de volta a cidadezinha, uma boa pizza e cerveja para comemorar. E bora pra casa tomar banho e dormir! Nada muito assim tão fácil. Tentar pegar carona daqui, e vai minibus acolá parando em todo lugar. Finalmente, e no escuro, chegamos ao lar doce lar.

O próximo passeio, com dois dias de intervalo entre um e outro, foi para um safari no sentido norte do país e depois o lago Malawi. Fui com quatro brasileiros, minha dupla, meu amigo visitante e mais uma amiga voluntária.

No Liwonde Safari, onde a região é cheia de baobás (lindas árvores africanas com relevantes significados para alguns) e um cenário um pouco diferente do que costumamos ver onde moramos. Ficamos num hostel super aconchegante onde o dono era cheio de estórias autobiográficas sobre guerra, política e sua vida solitária no meio do mato. Praticamente dentro do National Park, os animais tem livre acesso ao terreno do hostel permitindo, dessa forma, ouvir aos fortes ruídos dos hipopótamos e trombar de vez em quando com elefantes durante a noite. Foi exatamente isso que aconteceu conosco. Em nosso passeio pelo park só conseguimos ver macacos, veados, javalis e hipopótamos (no passeio de canoa). Fora os hipopótamos, que sao aterrorizantes de tão grandes (eu não imaginava o tamanho desse bicho!), os outros animais não foram novidade, maaaas, depois de tristes por não conseguir ver os elefantes, durante a noite acordamos com barulhos, como que ventos chacoalhando as árvores. Meu amigo levantou e tomou um susto ao perceber que era um elefante bem na porta do quarto, chamou todos nós e ficamos lá, espiando em plena madrugada, e com um céu lindo estrelado para completar a fantasia.

Dia seguinte, partir para o lago!! Cape Maclear foi o destino. Foram dois dias de viagem e um só no lago – como já comentei antes, o transporte aqui dificulta muito as coisas. O lago é lindo, ficamos lá de pernas pro ar, tomando sol na sombra (rs), relaxando e lembrando saudosamente de nosso país, Brasil!!

Como estamos na Africa, o lago não é assim tão moldado para turistas, não ainda. Apenas uma pequena parte separada para os turistas que ficam nos hostels, mas os  locais continuam ali nas laterais, usando do lago como fonte de sobrevivência. Fazem tudo: lavam roupas, tomam banho e pescam.  As casas são como as que já estamos acostumados a ver por aqui, tudo igual. O local ainda não foi completamente modificado para receber o turismo em peso. O que de certa forma, eu particularmente, acho bom.

Depois de um dia de viagem de volta, em caminhões, minibuses e caminhadas, chegamos em casa. Ufa!

by Pamela ZaparolliImageImageImageImageImageImageImageImageImageImageImageImageImageImage

Cotidiano

Homens e mulheres perambulam pelas estradas, pra lá e pra cá, carregando grandes e pesados sacos em suas cabeças num solo quente e pés descalços,

Alguns em bicicletas, todas ausentes de marcha, descem e sobem morros,

E a corrente solta quase sempre, calmos eles param, consertam e seguem rumo.

Um movimento frequente à luz do dia e escuridão adentro,

Sem saber de onde vêm ou para onde vão, eu os observo.

Pastores trilham os magros bois para lugares mais prósperos, pois que as chuvas se foram, o milharal secou, quem colheu, colheu.   

A temporada de seca está vindo.

by Pamela Zaparolli